segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Tudo indica que pode ser um ano estranho, não necessariamente bom ou mau, apenas potencialmente estranho. Acordei deliciada com tanta coisa que sinto, entre a plenitude de estar onde quero, o medo de perder o que tenho e o pânico de não atingir o que sonho. Dia 1, fui a um funeral. Inevitavelmente chorei. Não pela perda pessoal, mas por sentir naquele momento que existe um adeus certo, de nós para alguém ou de alguém para nós. "Espera por mim, estou quase a ir ter contigo...". Dói. Dói tanto e faz com que uma dor particular se torne universal. É mais fácil pensar que existe um Paraíso, O Paraíso. Que é um sítio fisicamente real e não uma construção espiritual para uma necessidade colectiva. E assim foi passando o dia 1. Soturno com cheiro e humidade de cor cinza-claro-escuro-de-quem-quase-que-chove.
E no final do dia, sentada de frente para um palco cenograficamente elaborado, rodeada por famílias expectantes e ansiosas, entro na ilusão de pessoas que voam, cospem fogo, se contorcem em posições inimagináveis, assisto a uma hipotética representação de paraíso mágico, aparentemente real, secretamente encenado com cores, luzes, fumo e figurinos perfeitos. O público incrédulo e rendido comenta: "imaginem só aquelas miúdas chinesas (qualquer traço oriental pode ser chinês...), que se dobram todas e são gémeas! É quase impossivel encontrar uma assim quanto mais duas e gémeas!" Ouço e penso... não são chinesas, não são sequer parecidas quanto mais gémeas (tive oportunidade de as conhecer). Mas a verdade é que a realidade por vezes não interessa, a vontade de querermos acreditar na ilusão do que constroem para nós é tão maior. Paraíso, talvez. Feliz ano.

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