sexta-feira, 25 de maio de 2012

Luanda

Luanda.
Há coisas que me deixam com dificuldade em respirar. Me deixam em suspenso, sem conseguir saber como reagir. A sensação é próxima a um quase atropelamento. Aquele segundo em que paralisamos antes de conseguir decidir se corremos para o outro lado ou se recuamos. Se ficamos estáticos, o mundo passa por cima de nós.
Nãoter expectativas é irreal. Conseguir absorver alguma coisa de imediato também.
O Pedrinho vive em Gamek à direita. O motorista preto de sorriso fácil.
Início de Inverno e estão 30º. O nome do hotel é perfeito, Calor Tropical. Quando o ouvi no aeroporto pareceu-me o nome ideal para um motel em Lisboa. Daqueles bem rascas. O almoço para duas pessoas custou 86$.
Fomos ter com o Zé Luis, 50 e poucos anos, senhor que me parece ter 5 vidas paralelas, brasileiro, com uma energia contagiante e um óbvio prazer em viver. Bem.
Bay Side, no centro da cidade. 8,50$.
Reunião com algum ministro relacionado com o petróleo. A gasolina custa cerca de 60 cêntimos por litro. E aumentou, porque era 40.
Ficamos com o Perinho para ir até À Ilha de Luanda. Molhei os pés no mar.
Vi no trânsito um senhor a limpar o tablier do carro com um pincel enquanto conduzia.
2 cafés no meio da rua; 500 Kuanzas.
Voltamos para o centro e dois putos, lavadores de carros, de bermudas e chinelos, batem-se até estarem a sangrar. Estamos parados nas traseiras de um prédio, o Pedrinho motorista à espera do chefe Zé Luis. No chão lama e os putos caem, rebolam, esmurram-se, pontapeiam-se na cabeça e a audiência aumenta. "Beberam e fumaram Biamba ou Malange, ficam malucos!" Eu só ouço os berros "Vou-te matar!"
Fim do dia de sol, 17h30. Dentro de um Dodge de vidros fumados e ar condicionado no máximo, já não há motorista. Somos 4 agora. O chefe Zé Luis tem um amigo, consultor também julgo.
Sair do centro através de um musseke até à Avenida da Samba para ir para Talatona.
Quatro bananas no meio do trânsito, directamente de uma cesta enorme na cabeça de uma mulher que transporta um bebé às costas e mais um saco na mão... 300 kuanzas. Duas depois chegamos ao destino.
Prédios, espaços e uma cidade diferente aparece. Bebo uma Cuca no Zodabar e temos uma acesa conversa sobre Luanda. Voltei a não pagar nada.
Jantar. Pizza noutro Bay Side com outros amigos do "chefe". Outra Cuca.
Dia longo e fico em silêncio por nada conseguir dizer.
Luanda.

segunda-feira, 14 de maio de 2012

love.scar.fear.run mother fucker.run.


Corto a respiração e páro. Andei demais, andei sem sair do lugar.
Páro e nada fica estático. Levanto-me, luto. Caio. Levanto-me, sigo e tento lembrar como apenas se é. Quando se existe assim, só a ser, sem mais.
Corro e deixei-me para trás. Procuro nas horas, dias, meses e sei que não sei onde sou. Foi. Sentir o tempo a ser puxado e a vontade de poder abrandar sem medo de o mundo parar. Só a ser.
E quando sinto o tempo na pele, sei que as memórias são parte de cada cicatriz, que quero fechar, ler apenas como marcas de quem sentiu tanto. De quem cai. De quem dá o mundo sem medo de perder a terra onde arranha.
Saltei. Um pé, dois pés, cabeça. Póros que gritam por não quererem mais suar. E quando tudo grita, eu corri, explodi, gritei, chorei em cada lágrima a sensação de que deixei de saber ser.
Páro e tento respirar. Saber ser fora do tempo, porque apenas sou. Sem mais. E cada textura, cor, sal, cheiro, fluido, alma tem de existir cá dentro na corrente que me faz seguir. E depois? Ainda agora começou.

Send in the clowns



Isn't it rich?
Are we a pair?
Me here at last on the ground,
You in mid-air.
Send in the clowns.

Isn't it bliss?
Don't you approve?
One who keeps tearing around,
One who can't move.
Where are the clowns?
Send in the clowns.

Just when I'd stopped opening doors,
Finally knowing the one that I wanted was yours,
Making my entrance again with my usual flair,
Sure of my lines,
No one is there.

Don't you love farce?
My fault I fear.
I thought that you'd want what I want.
Sorry, my dear.
But where are the clowns?
Quick, send in the clowns.
Don't bother, they're here.

Isn't it rich?
Isn't it queer,
Losing my timing this late
In my career?
And where are the clowns?
There ought to be clowns.
Well, maybe next year